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segunda-feira, 24 de agosto de 2009
terça-feira, 30 de junho de 2009
FotoRio 2009
Bom, o FotoRio está aí. Começou esses dias. Eu só fico sabendo das coisas sendo informado por uma cara amiga em uma lista de fotos, por que está muito mal divulgado.
Hoje fui a uma inauguração de exposição no CCC (Centro Cultural dos Correios), ali no Centro. O que vi me deixou com algumas questões, que gostaria de colocar aqui. Se alguém quiser responder, ou me explicar, que fique a vontade.
Em março, eu e mais três amigos nos reunimos com o objetivo de participar do FotoRio, como fazemos sempre que há este evento, a cada dois anos. Combinamos algumas coisas, e partimos atrás de informações. No site do Fotorio, não havia informação alguma sobre o evento, tendo ainda o site de 2007 exposto. Conseguimos achar em um blog, por sorte, a informação de que as inscrições estariam fechadas desde janeiro. Aí veio uma das dúvidas: como terminaram as inscrições em janeiro de 2009, se nem o site continha essa informação? Como eu poderia saber disso? Como todos os que expõe neste FotoRio ficaram sabendo disso?
Hoje, visitando o CCC, onde haviam 10 exposições sendo inauguradas, saí com outras questões. Conversando por lá com um funcionário do FotoRio, o qual tem contato direto com a organização, fui informado que era só entrar em contato com os organizadores, que ainda dava tempo. Pois bem, aí entra uma questão minha: fui informado disso por amizade ou o FotoRio está aberto de fato para qualquer um? Digo isso por que me soou, infelizmente, muito desorganizado. Não há folder impresso ainda com o programa do evento, não há desde o início do ano nenhuma informação no site, então como eu poderia ter alguma informação, exceto sendo próximo ou tendo informação boca-a-boca de alguém do FotoRio?
O FotoRio não perde nada com a minha não participação, mas o contrário aconteceu. Gostaria de ter participado, como fiz em 2005 e 2007, e estava me programando para 2009, mas do jeito que as informações ficaram escondidas, não houve como. E não concordo com essa dica de falar com os organizadores. Não é a coisa certa. Por que não havia no site do evento informação sobre inscrição ou sobre como participar com algum evento? Lembrei que nos outros dois anos fiquei sabendo por que estava em 2005 estudando fotografia e uma parte da organização estava em constante contato com a gente, e em 2007 pelo mesmo motivo. Em ambas não foi necessário qualquer esforço para participar, já que soubemos lá de dentro como as coisas iam funcionar durante o evento. Não soube que havia esta dificuldade, quando se está de fora.
Outra questão é de gosto pessoal: qual o critério para se conseguir lugares para expor seu trabalho? e até que ponto seu trabalho tem qualidade para ser exposto? Não digo isso por ter achado uma ou outra exposição ruim, mas por ter visto duas coisas que me incomodaram bastante nesta exposição do CCC: um das partes de uma exposição tinha diversas fotos pequenas, como um mosaico, porém todas pixeladas, muito pixeladas, e na minha opinião, sem nenhuma qualidade que justificasse conseguir o espaço que conseguiram e o destaque que tem. A outra coisa que vi foi uma das exposições com fotos em tamanho 10X15. Não há limites para a criatividade, e claro, podemos expor fotos com dois metros ou com cinco centímetros, mas até que poto elas tinham o merecimento de estar onde estavam. Enquanto obesrvava a exposição, esse fato foi levantado por alguém que também olhava as mesmas fotos. Não sei se 10X15 é um tamanho ideal para se mostrar qualquer trabalho, ainda mais no lugar onde ele está exposto. Não é crítica às fotos, não ouso fazer isso, mas sim a parte logística da coisa.
Espero que ententam as pessoas que leem isto aqui, que não estou de forma algum criticando as exposições, mas sim a organização do evento, que no meu ponto de vista foi falha e distante do grande público.
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sábado, 23 de maio de 2009
Click
Descobri através do blog da Sônia Bittencourt, que conheci tem pouco tempo e recomendo, uma dica ótima: o programa Click, da AllTV, sobre fotografia na Internet.
Passa todo domingo, 19hs, aqui. Segundo o site, "o programa Click trata-se de uma produção realizada por uma equipe de jornalistas e repórteres fotográficos, cujo objetivo é discutir e apresentar o universo da fotografia, suas realizações, seus profissionais e seus criadores geniais."
São entrevistas com fotógrafos, usando uma linguagem fácil, não muito técnica, e uma interação com o público muito boa, onde você pode dar dicas de pautas, perguntar, interagir de verdade.
No blog do programa você pode assitir edições antigas do mesmo.
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sexta-feira, 22 de maio de 2009
O Pioneiro Brasileiro
Muitos eventos que resultaram na invenção da fotografia como conhecemos hoje. A câmara escura, por exemplo, foi fundamental nesse processo, sendo utilizada por por artistas no século século XVI, como um auxílio para os esboços nas pinturas. A evolução da química, em paralelo, permitiu que processos de registro fossem desenvolvidos, como quando o cientista italiano Angelo Sala, em 1604, percebeu que um composto de prata escurecia ao Sol, supondo que esse efeito fosse gerado pelo calor. Foi então que Johann Heinrich Schulze, em 1724, determinou que era a prata halógena, convertida em prata metálica, e não o calor, que provocava o escurecimento.
Reconhecidamente existem milhares de inventores de processos fotográficos ao longo da história, sendo Talbot, Daguerre e Niépce os mais conhecidos. A primeira fotografia reconhecida é de Niépce, em 1826, feita da janela de sua casa, utilizando uma placa de estanho com betume branco da Judéia que tinha a propriedade de se endurecer quando atingido pela luz. Utilizando uma câmara escura e 8 horas de exposição, chegou ao seguinte resultado:
No entanto, a palavra "fotografia" foi intentada por outro pioneiro: o franco-brasileiro Hércules Florence.
Nascido em Nice, 1804, tornou-se grumete aos 16 anos de idade, e com isso, passou por Mônaco, Holanda e Bélgica. Em 1824 aportou no Brasil, fixando residência e não mais voltando à Europa. Foi empregado como caixeiro em uma casa de roupas, mudando, logo a seguir, para o estabelecimento de outro francês, Pierre Plancher, proprietário de uma livraria e uma tipografia.
Informado de que um naturalista alemão, o Barão Georg Heinrich von Langsdorff, faria uma expedição pelo Brasil, incluindo até a Amazônia, e esta expedição precisava de um desenhista, Florence ficou fascinado com a possibilidade de realizar esta viagem, conseguindo ser contratado por seu talento com desenho e conhecimentos de cartografia. A expedição durou de 1825 a 1829, e coube a Florence o relato completo desta, assim como a maior parte da documentação iconográfica. Esta coleção de registros sobre a natureza e os índios das regiões visitadas por Florence é de valor inestimável para estudos antropológicos e etnográficos. Após sua volta, casa-se com Maria Angélica Vasconcelos, filha de importante político paulista, indo morar na vila de São Carlos, em Campinas.
Desejando publicar um estudo que fizera sobre sons emitidos por animais, produto de observações anotadas durante a expedição (o qual intitulou "zoophonie"), se deparou com a falta de oficinas impressoras em São Paulo. Decidiu então inventar seu próprio método de impressão, a Poligraphie, e em 1832, já se encontrava estabelecido comercialmente oferecendo ao público seus escritos e desenhos.
Com a observação do descolorimento que sofriam os tecidos expostos à luz do sol e informado pelo jovem boticário Joaquim Correia de Melo das propriedades do nitrato de prata, deu início às suas pesquisas sobre fotografia. Suas primeiras experiências com a câmara obscura datam de janeiro de 1833 e encontram-se registradas no manuscrito "Livre d'Annotations et de Premier Matériaux". O exame detalhado desse manuscrito por Boris Kossoy, mais de um século após, o levou a comprovar o emprego pioneiro de Florence da palavra "photographie", pelo menos cinco anos antes que a palavra fosse utilizada na Europa.
Florence foi ainda pioneiro da imprensa em Campinas ao fundar, em 1836, O Paulista, primeiro jornal do interior de São Paulo.
A proliferação em Campinas de bilhetes de banco falsos o motivou a inventar um método de impressão para evitar falsificações.
Em 1847, Florence descreveu o emprego dos "Typo-sílabas", idéia precursora da taquigrafia.
Divorciou-se de sua primeira esposa em 17 de janeiro de 1850, e se casou novamente com Carolina Krug, com a qual teve sete filhos. O casamento ocorreu em 4 de janeiro de 1854.
Em 1860 inventou a "pulvografia", a impressão por meio do pó.
Em 1877 foi eleito membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, falecendo dois anos depois, em março de 1879.
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domingo, 10 de maio de 2009
Dorothea Lange
Fotojornalista americana, muito conhecida por seu trabalho documental durante a Grande Depressão, nos anos 30.
Nascida em 1895, estudou fotografia em Nova York, e em 1919, já morando em San Francisco, montou um estúdio de retratos com relativo sucesso. Em 1920, casa com o pintor Maynard Dixon, com quem tem dois filhos, em 1925 e 1929.
Com a Grande Depressão, Lange vai às ruas, saindo de seu estúdio e começando a fazer fotos externas. Seu traballho com desempregados e sem-teto chama a atenção de outros fotógrafos, e a leva a trabalhar para a Resettlement Administration, fundação do governo americano que realocava famílias urbanas e rurais em situação de miséria. Mais tarde essa fundação foi renomeada para Farm Security Administration, onde faziam essencialmente o mesmo serviço, mas mais voltado para a pobreza rural.
Em 1935, Lange se divorciou de seu primeiro marido e casou com Paul Schuster Taylor, professor de economia na Universidade da Califórnia, em Berkeley. Juntos, documentaram a exploração de imigrantes e trabalhadores rurais por cinco anos seguidos, com Taylor fazendo o trabalho textual, e Lange documentando com sua fotografia.
Seu trabalho documental com pobres e esquecidos, em particular na área rural, para a Resettlement Administration e Farm Secutiry Admninistration, faz com estes comecem a ser notados pela opinião pública. Suas fotos são distribuidas em jornais por todo os Estados Unidos, e se tornam ícones daquela época.
Sua fotografia mais conhecida é a "Migrant Mother". A mulher da foto se chama Florence Owens Thompson, e sobre ela e essa sessão de fotos, Lange disse em 1960:
"Eu vi e abordei a mãe desesperada e faminta, como se atraída por um imã. Não lembro como expliquei minha presença ou minha câmera para ela, mas lembro que ela não me fez perguntas. Não perguntei seu nome ou sua história. Ela me disse sua idade, que tinha 32 anos. Disse que estavam vivendo de vegetais congelados dos campos aos arredores e de pássaros que as crianças haviam matado. Ela havia acabado de vender os pneus de seu carro para comprar comida. Ela se sentou naquela tenda com suas crianças a cercando, e parecia saber que minhas fotos poderiam lhe ajudar, então ela me ajudou."
Algumas outras fotos feitsas neste momento se encontram aqui .
Em 1941, Lange ganhou o Guggenheim Fellowship por sua excelência em fotografia. Com o ataque em Pearl Harbor, desistiu de sua premiação e para documentar a evacuação forçada de descendentes de japoneses nos Estados Unidos para campos de realocação. Sua foto de crianças japonesas americanas prestando juramento a bandeira antes de serem realocadas lembrou a muitos o ato de deter pessoas sem que tivessem cometido algum crime ou tivessem a chance de se defender, um ato arbitrário.
Em 1945, Lange foi convidada por Ansel Adams para assumir o departamento de fotografia da California School of Fine Arts, e em 1952, fundou a revista fotográfica Aperture, falecendo em 1965, aos 70 anos, de câncer.
Em 2008, Arnold Schwarzenegger, governador da Califórnia, anunciou que Lange seria indicada ao Hall da Fama da Califórnia, localizado no Museu da Califórnia para a História, Mulheres e Artes. Em 15 de dezembro deste mesmo ano a cerimônia foi realizada e seu filho aceitou a honra da indicação em seu lugar.
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sexta-feira, 24 de abril de 2009
Dois Cliques
A Globo.com tem um blog de fotografia situado em http://colunas.ego.globo.com/doiscliques/. Muito bom blog, fácil de ler, e não é preso à ensinar técnicas ou teorias, mas sim, mostrar fotos, comentar fotos de leitores e documentar trabalhos e o dia-a-dia dos fotógrafos do blog.
Eles tem uma sessão chamada Comente, onde, como o nome diz, comentam fotos dos leitores. Qualquer um pode enviar fotos, que eles selecionam ou não para serem mostradas na sessão. Esta foto minha foi publicada e comentada:
Que bela foto!
O Edu fotografou com baixa velocidade, 1/30, e acompanhou com a câmera o movimento do salto. O resultado é uma imagem cheia de movimento. Se ele optasse pela alta velocidade teríamos o pulo congelado, mas nada de movimento. Pra quem gostou do efeito, tente fotografar, em baixa velocidade, pessoas andando de bicicleta, mas prepare-se para os testes. É bem difícil conseguir de primeira um clique assim.
Velocidade 1/30 / F32 / Iso 400
A reportagem completa está aqui.
De fato, como eles comentam, é muito difícil conseguir uma foto assim. Existem vários problemas e fatores a serem pensados em uma situação como essa, para se conseguir esse resultado:
O assunto está em alta velocidade. Para congelá-lo, e fazer uma foto tradicional, basta usar de velocidade, em detrimento de profundidade de campo (diafragma). Como eu queria o resultado contrário, uma imagem focada, mas mostrando movimento, precisei fazer exatamente o contrário que a teoria manda. Diafragma fechado, velocidade baixa e panning. Panning é basicamente quando se acompanha o assunto em velocidade, deixando-o focado, enquanto o resto da imagem gerada mostrará o movimento. É comum ver fotos assim em automobilismo e fotos de animais correndo em velocidade alta.
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terça-feira, 31 de março de 2009
Na Estrada SP
"Na Estrada - SP" é um projeto com o objetivo publicar um livro, website e uma exposição sobre a vida e o cotidiano dos caminhoneiros no estado de São Paulo. As fotos são de Ricardo Ferreira e Melina Resende, com pesquisa e texto de Murilo Lisboa.
O projeto tem como iniciativa ressaltar o papel do caminhoneiro na sociedade atual, trazer à cena cultural brasileira os motoristas e valorizá-los como um grupo social e contribuir para o aprofundamento da discussão e produção do registro imagético sobre os caminhoneiros.
Fotos de Melina Resende e Ricardo Ferreira.
Ricardo Ferreira é fotógrafo desde 1996, e dá aula de processos fotográficos do séc XIX desde 1997. Leciona atualmente no Senac-SP. Tem outros dois livros publicados: "Embu", de 2003, e "Cubatão", de 2005. Além disso, tem exposições individuais e coletivas diversas. Atua também como laboratorista preto e branco desde 1995 e pesquisador de processos analógicos e digitais.
Melina Resende é fotógrafa graduada pela Faculdade Senac SP, com pós-graduação em Fotografia - Linguagem e Expressão, pela Universidade Cândido Mendes. Tem fotos publicadas no livro "Povos de São Paulo", e participou de diversas exposições coletivas, tais como "Caixa Preta", no MIS de São Paulo, "DiverCidades", no FotoRio 2007 e "Uma Centena de Olhares Sobre a Cidade Antropofágica", na Galeria Olido, em São Paulo. É também vendedora do rally fotográfico "FotoCross" em 2005, e do concurso "Cafés do Brasil", em 2003. Atua não só como fotógrafa, mas também como professora, arte-educadora e produtora cultural.
Você pode conhecê-los melhor aqui: Melina Resende - Multiply, Ricardo Ferreira - Multiply, Ricardo Ferreira - Flickr
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sexta-feira, 20 de março de 2009
War Photographer
Sobre o assunto do papel da fotografia nas guerras, recomendo que vejam este documentário.
"A pior coisa é perceber que como fotógrafo, estou me beneficiando da tragédia de alguém. Essa idéia me assombra. É algo com que eu tenho que lidar todo dia, porque sei que se tivesse deixado a verdadeira compaixão ser substituída por minha ambição pessoal, eu teria vendido minha alma." - James Natchwey
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